A Associação Brasileira de Linguística (ABRALIN) divulga a Carta de Recife das Línguas dos Povos Indígenas: Um Chamado Ancestral, documento final do IV Seminário Internacional Viva Língua Viva, realizado na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em Recife, entre os dias 18 e 21 de agosto de 2026.
Elaborada por povos indígenas e parceiros, reunidos durante o seminário, a carta reafirma a urgência do fortalecimento, da vitalização, da revitalização, da retomada e da manutenção das línguas indígenas, compreendidas não apenas como instrumentos de comunicação, mas como territórios de memória, ancestralidade, conhecimento e existência.
O documento apresenta nove reivindicações, que incluem a criação de políticas estruturantes de fortalecimento linguístico; a formação de professores indígenas e produção de materiais didáticos bilíngues; o incentivo à transmissão intergeracional das línguas indígenas; a criação de programas relacionados a línguas, memória e tecnologias; o fortalecimento de centros linguístico-culturais e de documentação comunitários; o reconhecimento de tradutores e intérpretes de línguas indígenas e de línguas indígenas de sinais; o fortalecimento do Programa de Desenvolvimento Acadêmico Indígena na Pós-Graduação (PDAI); e a construção de uma Universidade Indígena.
A carta também destaca que a vitalidade das línguas indígenas está diretamente relacionada à garantia dos direitos linguísticos dos povos indígenas e à construção de políticas públicas que reconheçam e promovam o multilinguismo.
“Quando uma língua vive, o Brasil se amplia. Quando uma língua morre, o Brasil se empobrece.”
Ao final, o documento se apresenta como um chamado à escuta e à ação, articulando as vozes dos ancestrais às das novas gerações que têm o direito de aprender a nomear o mundo nas línguas de seus povos.
A Carta de Recife das Línguas dos Povos Indígenas conta com a participação e assinatura de instituições e organizações brasileiras e internacionais comprometidas com a defesa das línguas indígenas e dos direitos linguísticos dos povos originários.
Leia a carta na íntegra:
Carta de Recife das Línguas dos Povos Indígenas: Um Chamado Ancestral