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Termos para Relações de Parentesco na Língua Makurap: Contribuições para a Documentação
Letícia Gonçalves, Ana Vilacy Galúcio
A Amazônia abriga grande diversidade linguística e cultural. No entanto, a maior parte das línguas indígenas faladas na região enfrenta desafios e corre o risco de desaparecer. Nesse contexto, encontra-se a língua Makurap (Tupi), do povo homônimo localizado nas Terras Indígenas (TI) Rio Guaporé e Rio Branco (Rondônia), que atualmente possui reduzido número de falantes devido à ausência de transmissão intergeracional. Diante desse cenário, a linguística documental desempenha um papel essencial, ao registrar e preservar línguas para as futuras gerações. A partir disso, o presente trabalho tem por objetivo a análise do sistema de parentesco de Makurap a fim de contribuir com o processo de documentação dessa língua visando à preservação da identidade e cultura do povo. Os dados utilizados foram coletados no Acervo de Línguas Indígenas do Museu Paraense Emílio Goeldi (ALIM). A pesquisa segue os princípios metodológicos de documentação linguística de Drude (2006), Himmelmann (1998) e Franchetto (2007). Os procedimentos metodológicos consistiram na coleta de dados no ALIM, transcrição, anotação e análise de dados provenientes de sessões de elicitação e entrevistas com os falantes, o que possibilitou construir um corpus lexical temático que reflete as complexas estruturas relacionais dessa comunidade. A investigação revelou aspectos centrais do sistema de parentesco Makurap, como a distinção entre linhas maternas e paternas, a influência do gênero do falante na escolha dos termos, a flexibilidade classificatória que agrupa irmãos e primos sob um mesmo vocábulo, além de formas específicas para designações plurais e possessivas. Tais características demonstram que a língua Makurap veicula não apenas informações linguísticas, mas também estruturas sociais, culturais e identitárias fundamentais para a comunidade. Dessa forma, a análise do sistema de parentesco da língua Makurap oferece um campo fértil para compreender tanto os aspectos formais da língua quanto os modos de vida do povo, pois preserva registros orais autênticos, revela aspectos estruturais e culturais da língua e fornece material essencial para a elaboração de dicionários e gramáticas. Assim, esse trabalho contribui diretamente para a valorização, revitalização e compreensão da diversidade linguística presente no país e caminhos para sua documentação.